A arte de sacudir a poeira e seguir em frente

Por Camila Heloíse

Não nos ensinam na escola o quanto é difícil seguir em frente. E quando nos contam sobre isso, parece que é apenas para abandonarmos as malas, soltarmos os grilhões que nos prendem e caminhar para frente, não importando o destino, apenas caminhar.

Ninguém nos avisa a quantidade de obstáculos que vamos encontrar pelo caminho, muito menos o que fazer quando encontrarmos com alguns deles que vão parecer muito maiores do que nós mesmos. Não nos contam sobre as pessoas por quem vamos nos apaixonar e ter que deixar para trás, não nos contam sobre os falsos amigos, sobre as desesperanças e o medo, não nos avisam o quanto seremos solitários em nossas batalhas.

Ninguém nos avisa que um dia as coisas poderão dar tão errado que vai parecer que nós deveríamos ter feito tudo diferente no passado. Ninguém nos diz que a sensação de arrependimento pode ser profundamente destruidora e confundir o nosso coração.

Mas, isso não é uma queixa. Tudo o que precisamos aprender, talvez seja só a agradecer. Sim, a graça do “seguir em frente” talvez seja o mistério do não saber, talvez seja simplesmente a surpresa do que virá. É descobrirmos, a cada tombo, o quanto estamos despreparados, porém, descobrirmos ali o tamanho do nosso poder e capacidade de levantarmos novamente, e de pé, sacudir toda a poeira.

Acredito que, ainda que sozinhos, o “seguir em frente” nos lembra que precisamos apenas de nós mesmos e de um coração puro e sincero.

A dor que a vida nos traz em percebermos a solidão é tão somente uma lição de amor disfarçada que só aprendemos quando paramos de chorar e descobrimos que podemos superar e suportar o que quer que seja se tivermos apenas fé no caminho.

E é exatamente seguindo em frente e tropeçando, que nos lembramos de ter essa fé, que nos lembramos de tudo o que aprendemos com as diversas lições disfarçadas de lugar comum.

Seguir em frente deve ser isso – recordar quem somos, e porque estamos aqui. E que isso não tem nada a ver com o quanto perdemos, com a quantidade de decepções que sofremos ao longo da vida ou com o quão solitário nos deparamos frente ao espelho. Tem a ver com a nossa capacidade de nos reinventar diante da avassaladora dor da existência, e com a nossa capacidade incrível de auto cura, mesmo que a gente duvide. Seguir em frente tem a ver com a paixão e o respeito que demonstramos pelo simples (e maravilhoso) fato de estarmos vivos.

Siga em frente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s