Parece o fim e dói como o fim

Texto: Camila Heloíse

O fim, vai por mim, também sabe ser recomeço. Machuca de um jeito, que nem dá para mensurar direito. Você acaba pagando um preço alto, pelo menos na maioria das vezes, mas nem sempre o fundo do poço, representa o fim de qualquer chance de ser feliz outra vez.

Dá uma vontade enorme de fugir, de dar no pé, cair na estrada, desaparecer, não dá? Só para não ter que acordar no mesmo lugar, ver aquelas mesmas pessoas, porque o que te aconteceu tem para você o peso de uma fratura exposta. E parece que está tão estampado na cara quanto uma.

Você anda por aí sangrando, mostrando partes de si que foram feridas de forma brutal, e isso vai se parecendo ainda mais com o fundo do poço, e nós aprendemos que esse não é um bom lugar para se estar. Você se sente andando por aí com uma placa estampada “vulnerável” e não consegue ver nada de bom nisso.

Mas não precisa ser assim.

Olhos que foram feitos para chorar, também foram feitos para sorrir. E chorar de rir. E rir até não aguentar, e assim chorar. E ser vulnerável, em um mundo que só resiste graças a alguns bons sentimentos que ainda não foram soterrados, é algo absolutamente bom. É osso, carne e sangue o que te põe de pé.
Ainda somos humanos e quando a Terra for feita apenas de robôs, vai ser bem ruim um deles apresentar alguma vulnerabilidade. Mas você não. Você, ser vulnerável, é só mais uma maravilhosa constatação da sua humanidade.

Tudo, depois do choro, da dor, do luto pelo que se perdeu ou se rompeu, é perspectiva. Tudo vira “o que você vai fazer com isso?”. E mudar sua perspectiva em um dado momento pode significar salvar uma vida, e uma muito importante que não pode deixar de ser salva: a sua vida.

Ninguém vai voltar para te recolher do chão. E ainda que o fizesse, seria apenas para evitar uma catástrofe maior e um atropelamento. Mas, você decidir se levantar, é aí que mora a transformação, o ato revolucionário que a sua alma tanto espera. É optar por transformar a queda em ensinamento, e uma pessoa que aprende a modificar sua dor, é capaz de tudo nesse mundo, mesmo não compreendendo o porquê de todas as coisas.

Eu sei, parece com o fim, tem cheiro de fim e dói como fim. Mas calma, pode ser só um recomeço.

*É permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte.

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