Jaya Magalhães: a arte de tocar as pessoas por meio das palavras

Texto: Camila Heloíse | @camilaheloiseescritora

“A escrita foi me absorvendo com o passar das horas, de modo que cheguei a um momento onde não dava mais para esconder: era o que eu era. O que sou”.  

A fala é de Jaya Magalhães, direto da Bahia, acertando em cheio o coração da gente aonde quer que estejamos nesse mundão.

Escrever sobre Jaya, escritora autora de Líricas e de Bem Ditas Cartas é como saltar de paraquedas. Você quer muito essa aventura, mas ela também te dá medo. Posso imaginá-la sentada em um banco de madeira na varanda olhando o horizonte, falando sobre sua história e fazendo pausas apaixonantes que não dá vontade de interromper, porque até mesmo no silêncio dela, deve haver poesia. “Por que você escreve?”- pergunto. “Porque é a coisa mais natural que sei fazer. Porque a palavra é como se fosse a extensão do que sou. Porque me cura. E, sobretudo, porque não sei desenhar” – ela responde.

Coloquei então Skap, canção de Zeca Baleiro para tocar enquanto escrevia. Não a conhecia (a canção), mas é a música preferida da Jaya. E a sensibilidade e poesia contidas na canção, faz compreender porque é a sua favorita.

“(…) a palavra é como se fosse a extensão do que sou. Porque me cura. E, sobretudo, porque não sei desenhar”

— Jaya Magalhães

Jaya toca sem usar as mãos, tudo nela parece um mar quente e frio, oscilando, convidando e amedrontando ao mesmo tempo. E ela, incrivelmente, não imaginava ser escritora um dia. “Demorei muitos anos para conseguir assimilar e aceitar a escrita em minha vida. Sempre achei que era algo a ser tratado como um se der tempo eu faço. Achava que precisava ter um trabalho e uma carreira de verdade e, quando sobrasse um momento livre, usaria para escrever”, diz.

Ela me conta que seu primeiro livro, o Líricas, foi publicado em um susto, e que viveu muitos processos intensos e profundos durante e após sua publicação. “Hoje, sinto tudo bastante diferente e com maior leveza, o que permitiu sonhar e trabalhar em novos projetos”.

Inspirada por grandes nomes como Gabriel García Márquez e Adriana Falcão, Jaya segue, reluzente (e resiliente) – escrevendo. Amém.

O livro Bem Ditas Cartas

O Bem Ditas Cartas foi lançado graças a um projeto e ao Prêmio das Artes Jorge Portugal. Jaya conta que no momento em que o edital da premiação foi publicado, ela fazia parte de um projeto, o “Bem Ditas Cartas”, junto a outras duas pessoas. “Uma delas trouxe o edital com a ideia de que o projeto teria chances de ser contemplado por conta do formato inovador de produção de vídeo-cartas durante a pandemia. Nos inscrevemos na categoria de Difusão Literária em Ambiente Virtual, com o objetivo de expansão das publicações e junto a isso, sugeri que entregássemos um livro como produto final. Submetemos a proposta em meu nome e acabamos sendo premiadas. O motivo foi que, naquele momento, acreditávamos que com o financiamento conseguiríamos adaptar o projeto a outros formatos, com foco na obtenção de maior visibilidade para o nosso trabalho como escritoras/artistas”, conta.

Bem Ditas Cartas é composto de 185 páginas divididas com a coautora Maria Midlej. Em suas cartas, Jaya Magalhães fala de conexão, dores, ausências, amores e desejos. E como bem-dito no prefácio por Débora Gomes, é impossível terminar de ler e não querer começar a escrever cartas e enviá-las por aí.

Por falar em sentimento quanto a leitura, e desse desespero em escrever para o mundo que o livro nos traz, Jaya conta o que espera que os leitores sintam com Bem Ditas Cartas – “Fôlego, para continuar dando pequenos respiros em meio ao caos dos últimos tempos. Companhia, ao perceber que estamos vivendo as mesmas emoções durante a quarentena. E abraço, porque a intenção não foi outra a não ser a de fazer um carinho em quem ler”.

O livro nasceu com a intenção de trocar cartas durante a pandemia, uma doce escolha, porém, não deixou de ter suas dificuldades. Entre tantas, a escritora conta que a maior dificuldade foi manter uma constância de publicações, conciliando o projeto com as demais atividades da rotina das escritoras. “Porque para além da escrita das cartas, nós tínhamos que fazer a gravação da leitura desse texto, uma curadoria de imagens e depois a edição final do vídeo. Duas integrantes tiveram que se afastar por esse motivo (inicialmente éramos 4), então acabamos abrindo para colaboração do público. Só então conseguimos cumprir os calendários inicialmente propostos”, explica.

Jaya ainda comenta o quanto a transformação do projeto em livro foi ao mesmo tempo deliciosa, exaustiva e corrida. “Foi exaustivo porque lidar com opiniões, personalidades e encontros diretos com pessoas estranhas sempre gera algum conflito. Mas a minha sorte foi que, para cada encontro desconfortável, tive a oportunidade de lidar com pessoas gentis e profissionais. Publicar um livro independente não é fácil, mas tive a grande sorte de montar uma equipe de produção composta cem por cento por amigos, que fizeram a capa, ilustrações, diagramação, revisão, divulgação etc. Todo o trabalho de todos os envolvidos foi remunerado e executado com qualidade, graças ao Prêmio, fruto do incentivo da Lei Aldir Blanc”.

“Publicar um livro independente não é fácil, mas tive a grande sorte de montar uma equipe de produção composta cem por cento por amigos”

— Jaya Magalhães

O prazo para escrever textos novos para o livro foi de apenas dois meses, “coisa que nunca antes tinha sido feita por aqui. No fim, acabou dando tudo certo, desenvolvi várias cartas inéditas carregadas de muito afeto”, diz.

De todo o processo (que daria um outro livro) para que o livro ganhasse forma e peso e finalmente pudesse chegar até tantas pessoas, a escritora destaca a palavra que melhor define tudo o que foi vivido: “Sem dúvida alguma, resiliência. Palavra até clichê e da moda, mas é exatamente ela quem descreve esse período”.

Por fim, deixo finalmente gravado nesse imenso mundo da internet o quanto sou feliz e grata pela existência da Jaya Magalhães, uma das minhas maiores inspirações e que tanto me incentivou a escrever o meu primeiro livro. E por falar nisso, a questionei de forma muito clichê, coisa de jornalista quando entrevista algum artista, sobre o que ela diria a quem deseja escrever um livro:

“ESCREVA”, finaliza.

Agora, tem coisas que você só vai entender quando a conhecer. Então acesse Jaya Magalhães e conheça todos os canais para se debruçar sobre as palavras infinitas da escritora Jaya Magalhães.

Sua história também pode inspirar? Entre em contato conosco 🙂

2 comentários em “Jaya Magalhães: a arte de tocar as pessoas por meio das palavras

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